Inovação

HC-UFMG cria o 1º Centro de Transplante de Microbiota Fecal do Brasil

qua, 06/12/2017 - 15:55

Transplantes serão realizados em indivíduos com infecção recorrente ou refratária pelo Clostridium difficile

Belo Horizonte (MG) – O ser humano possui cerca de 100 trilhões de bactérias só no tubo do intestino. São elas que formam a nossa microbiota intestinal, também conhecida como flora intestinal, composta por bactérias benéficas e patogênicas como a Clostridium difficile, presente na microbiota de até 20% dos adultos hospitalizados, levando a quadros de diarreia em até 5% deles. Desses 5%, um grupo considerável não apresentará resposta satisfatória ou duradoura ao tratamento com antibióticos.

É para pacientes com infecção recorrente ou refratária pelo Clostridium difficile, principalmente, que um tratamento promissor vem sendo indicado: o transplante fecal, que funciona a partir da infusão de uma solução composta por substrato fecal de pessoas sadias em pessoas doentes. O Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (HC-UFMG), vinculado à Rede Ebserh, é o primeiro no Brasil a ter um Centro de Transplante de Microbiota Fecal. Instalado no Laboratório de Pesquisas e Banco de Tumores e Tecidos do Instituto Alfa de Gastroenterologia (IAG) do HC-UFMG, além de realizar transplantes, o local também é um dos primeiros a manter um banco de fezes. O hospital já está em fase de análise e seleção de pacientes para o primeiro procedimento.

“Até o momento, em nosso país, há poucos relatos de transplante fecal. Apenas um estudo foi publicado no ano de 2015, descrevendo a experiência de 12 pacientes submetidos ao transplante no Hospital Albert Einstein, em São Paulo. Além disso, há registros no Hospital Vera Cruz, em Campinas, e em uma clínica em São José do Rio Preto (SP). No entanto, todos os casos foram isolados e de forma experimental”, afirmou o chefe do IAG e coordenador do Banco de Tumores e Tecidos do mesmo instituto, Luiz Gonzaga Coelho. Segundo ele, não há nenhum registro de um centro de transplante de microbiota fecal respaldado pelas rigorosas orientações dos órgãos internacionais como o do HC-UFMG.

Desde março, quando teve início a implementação do serviço na instituição, já foi realizada uma triagem inicial com um grupo de doadores saudáveis, que procederam à doação de material fecal. Eesse material é encaminhado ao Banco de Tumores e Tecidos do IAG, onde é realizado o processamento e preparo das fezes para armazenamento em ultrafreezer (-80°C), o que garante a sua viabilidade a longo prazo. Até o momento, o HC-UFMG dispõe de material para o transplante de pelo menos cinco pacientes. “O transplante será realizado em indivíduos com infecção recorrente ou refratária pelo Clostridium difficile. O procedimento será como uma colonoscopia convencional acrescida da infusão da microbiota”, explicou o médico.

Serão analisados pacientes do Hospital das Clínicas e também de outras instituições, já que, devido à portabilidade do substrato fecal, será possível fornecer esse tratamento para outros hospitais de Belo Horizonte e também de outras cidades. Além da realização de transplantes, o Centro de Transplante de Microbiota Fecal do HC-UFMG permitirá ainda o desenvolvimento futuro de investigações científicas correlacionadas com a área da microbiota intestinal e saúde humana.

Sobre a Ebserh 

Desde dezembro de 2013, o HC-UFMG faz parte da Rede Ebserh. Estatal vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) administra atualmente 39 hospitais universitários federais. O objetivo é, em parceria com as universidades, aperfeiçoar os serviços de atendimento à população, por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), e promover o ensino e a pesquisa nas unidades filiadas.

O órgão, criado em dezembro de 2011, também é responsável pela gestão do Programa Nacional de Reestruturação dos Hospitais Universitários Federais (Rehuf), que contempla ações nas 50 unidades existentes no país, incluindo as não filiadas à Ebserh.

Fonte
Com informações do HC-UFMG
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