ESTUDO

Pesquisadores da Ebserh participam de estudo que comprova fator genético em casos de microcefalia por Zika

seg, 19/02/2018 - 18:49

Descoberta explica porque nem todas as grávidas expostas ao vírus têm bebês com microcefalia

Carol e Sofia, as gêmeas acompanhadas pelo ambulatório do HU-UFS, essenciais na pesquisa científica que descobriu os fatores genéticos relacionados à microcefalia por síndrome do vírus Zika. Por Azael Neto.

Aracaju (SE) – Quando estava grávida, Bárbara Monteiro fez o primeiro ultrassom por volta dos seis meses de gestação e descobriu que seria mãe de gêmeos. Perto do nono mês, outro exame apontou que eram meninas: Sophia e Carol. No dia da cesariana, um profissional da equipe cirúrgica percebeu que as cabecinhas das crianças eram menores do que o normal: tratava-se de microcefalia. “Eu já havia visto na televisão o surto de microcefalia no Brasil. Cheguei a pensar que elas haviam nascido mortas. Na hora, a gente pensa um monte de coisa. Mas sorri e falei: ‘Está bem. São as minhas filhas’”, afirmou a jovem mãe.

O vírus Zika pode causar um dano significativo ao cérebro do feto, de acordo com estudos dirigidos por investigadores de faculdades de medicina de todo o mundo. Entretanto, a maneira como o vírus causa a microcefalia no feto depende de fatores genéticos. Essa descoberta foi resultado de um estudo conduzido por diversos pesquisadores de todo o país, que inclui dois profissionais do Hospital Universitário da Universidade Federal de Sergipe (HU-UFS), vinculado à Rede Ebserh.

A pesquisa, liderada pela Universidade de São Paulo (USP), examinou 91 bebês de vários estados brasileiros, incluindo nove pares de gêmeos que foram essenciais para a descoberta. Dentre os gêmeos, dois pares – um deles é acompanhado pelo HU-UFS – eram meninas monozigóticas (gêmeas idênticas) e os demais, dizigóticos (gêmeos diferentes).

“Sem os gêmeos, não podemos ver a forma como a síndrome congênita se apresenta diante de alguma determinação genética”, destaca a pesquisadora do HU-UFS, Ana Jovina, envolvida no estudo. Os pesquisadores notaram que todas as gêmeas idênticas tinham microcefalia; no caso dos gêmeos diferentes, por sua vez, apenas um par era concordante para a doença. Assim, reforçou-se a hipótese de que um componente genético aumenta o risco de desenvolver a síndrome.

Na conclusão da pesquisa, os cientistas conseguiram relacionar mais de 63 genes com expressões distintas em alguns bebês, gerando uma pré-disposição genética no feto que é posteriormente exposto ao vírus Zika. “Agora que sabemos que alguns fetos têm um risco maior de adquirir a microcefalia se forem expostos ao vírus durante a gestação, podemos pensar em políticas públicas para grupos distintos, o que será muito útil no caso de decidir quem tem prioridade para tomar, por exemplo, uma futura vacina”, explica Roque Pacheco, gerente de Ensino e Pesquisa do HU, outro pesquisador participante do estudo.

Políticas públicas futuras que poderão beneficiar pessoas como Bárbara, que mesmo com todas os sobressaltos, ama e protege seus bebês “As enfermeiras me elogiaram pela maneira como tratei as minhas filhas desde o primeiro dia. Elas me disseram que há mulheres mais velhas que entram em desespero. Eu já tinha a experiência de uma vida inteira cuidando da minha irmã, que é portadora de necessidades especiais”, contou Bárbara.

O artigo científico resultante da pesquisa foi publicado no início deste mês de fevereiro no periódico Nature Communications, um dos mais prestigiosos do mundo. Para ler a publicação (em inglês), clique aqui.

Sobre a Ebserh

Desde outubro de 2013, o HU-UFS é vinculado à Rede Ebserh. Estatal vinculada ao Ministério da Educação, a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) administra atualmente 39 hospitais universitários federais. O objetivo da Rede Ebserh é, em parceria com as universidades, aperfeiçoar os serviços de atendimento à população, por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), e promover o ensino e a pesquisa nas unidades filiadas.

A estatal, criada em dezembro de 2011, também é responsável pela gestão do Programa Nacional de Reestruturação dos Hospitais Universitários Federais (Rehuf), que contempla ações em todas as unidades existentes no país, incluindo as não filiadas à Ebserh.

Fonte
Com informações do HU-UFS
Região nordeste
HU - UFS
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