Pioneirismo na rede pública

Hospital da Ebserh faz 1º transplante de medula em adolescente no CE

qua, 20/03/2019 - 15:13

Iasmin é a paciente mais jovem a se submeter a um transplante de medula óssea autólogo na rede pública do Ceará

Foto: Paciente e equipe comemoram sucesso do transplante de medula óssea

Fortaleza (CE) – “Em meu nome, da minha família, de amigos e até de desconhecidos, agradeço aos médicos, técnicos e enfermeiros, que lutaram, oraram, sofreram e por fim, por causa de vocês, hoje podem sorrir comigo, celebrando a vida. Muito obrigada a todos por fazerem desses momentos difíceis, momentos alegres de descontração. Sou muito grata a todos”. A carta de agradecimento foi escrita por Iasmin Souza da Silva, de 13 anos, paciente mais jovem a se submeter a um transplante de medula óssea autólogo na rede pública do estado do Ceará. O procedimento foi realizado pelo Hospital Universitário Walter Cantídio (HUWC), vinculado à Universidade Federal do Ceará (UFC) e à Rede Ebserh, e pelo Centro de Hematologia e Hemoterapia do Ceará (Hemoce).

O transplante de medula óssea era a única alternativa para salvar a vida de Iasmin, que foi diagnosticada com linfoma de Hodgkin, um dos tipos de câncer que afeta o sistema linfático. De acordo com o chefe da Unidade de Onco-hematologia do HUWC, Fernando Barroso, ela já havia sido submetida a várias sessões de quimioterapia. “Em algumas situações, como neste caso, o transplante era indispensável porque o organismo já não respondia à quimioterapia”, disse.

A mãe da jovem, Vânia Souza, conta que agora o coração está cheio de felicidade. “Meu coração está transbordando de alegria. Ao mesmo tempo, sinto uma calma por saber que minha filha está com saúde e esperança de vida novamente. Eu só tenho a agradecer a toda a equipe que cuidou da Iasmin com tanto carinho”, disse.  Iasmin fez o transplante no dia 1º de março e agora está em casa em processo de recuperação. 

Autotransplante

A jovem foi submetida a um transplante autólogo, quando são usadas as células do próprio paciente. Ainda segundo Fernando Barroso, o recurso é o mais utilizado nos pacientes com linfoma de Hodgkin. “É um autotransplante. As células da medula óssea do paciente são coletadas e congeladas. O paciente passa por um processo de quimioterapia mais agressivo, para, depois, suas células serem reinfundidas. Ao fazer o autotransplante, o corpo passa a produzir novas células sanguíneas”, contou o especialista. 

A coleta da medula óssea para o transplante é feita no Hemoce por meio de uma máquina de aférese. O aparelho retira, pela veia do braço, somente a parte do sangue necessária (as células da medula óssea) e devolve os outros componentes sanguíneos para o organismo do paciente. Após a coleta da medula, o transplante é realizado pela equipe médica do HUWC. São cerca de 40 profissionais de saúde envolvidos no procedimento.

O hematologista explicou que o trabalho em equipe é essencial para o sucesso do transplante. “Nossos esforços em conjunto, tanto do Hemoce, como da equipe de transplante do HUWC, foram fundamentais para realizar o primeiro procedimento em uma paciente dessa idade. Esse foi o primeiro caso (de transplante em adolescente) da nossa equipe e teve ótimos resultados”, finalizou Fernando Barroso. 

Transplante de medula óssea

O HUWC e o Hemoce realizam transplante de medula óssea nos pacientes cearenses desde 2008. Nos últimos 10 anos, houve 427 transplantes de medula óssea, sendo 329 autólogos, 78 alogênicos aparentados, 14 alogênicos não aparentados e 6 haploidênticos no Ceará por meio dessa parceria. 

O transplante autólogo é quando acontece o autotransplante. No transplante alogênico aparentado, são utilizadas as células de parente do paciente; no não aparentado, a medula óssea vem de um doador de banco nacional ou internacional. No haploidêntico, o transplante acontece com a medula de parente de primeiro grau, como pai ou irmão do paciente, em que há apenas metade da compatibilidade. 

Sobre a Ebserh

Desde novembro de 2013, o Complexo Hospitalar da UFC é filiado à Rede Ebserh. Vinculada ao Ministério da Educação, a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) administra atualmente 40 hospitais universitários federais. O objetivo é, em parceria com as universidades, aperfeiçoar os serviços de atendimento à população, por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), e promover o ensino e a pesquisa nas unidades filiadas.

A empresa, criada em dezembro de 2011, também é responsável pela gestão do Programa Nacional de Reestruturação dos Hospitais Universitários Federais (Rehuf), que contempla ações em todas as unidades existentes no país, incluindo as não filiadas à Ebserh.

Fonte
Com informações do HUWC-UFC e Hemoce
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