Humanização

Crianças com câncer ganham bonecos que simulam pacientes em tratamento

ter, 14/05/2019 - 17:16

Ação leva aos pacientes mirins brinquedos de crochê sem cabelos e com máscara hospitalar

Foram feitos bonequinhos negros, brancos e pardos, para evidenciar a diversidade dos tons de pele

Cajazeiras (PB) – Com quantos fios se faz um ato de empatia? Quantas mãos tecem a solidariedade? Crianças com câncer que fazem tratamento no Hospital Universitário Alcides Carneiro (Huac), vinculado à Universidade Federal de Campina Grande e à Rede Hospitalar Ebserh, vivenciaram um momento especial: receberam de presente bonequinhos de crochê, sem cabelos e com máscara hospitalar, feitos a partir de uma técnica japonesa chamada Amigurumi. A entrega foi feita por estudantes universitárias, com a colaboração dos setores de Assistência Social e Enfermagem do Huac.

Os amigurumis, como são conhecidos os bonequinhos, foram produzidos como parte do projeto de extensão “Tecendo Sonhos”, da UFCG, que utiliza o labor artesanal como meio de reintegração de mulheres privadas de liberdade. O trabalho é realizado na Penitenciária Feminina de Cajazeiras, localizada no Alto Sertão paraibano. Entretanto, devido grande número de demandas para as detentas, as peças para o Huac foram produzidas por estudantes de Enfermagem do Campus Cajazeiras da UFCG, que integram o projeto de extensão.

Houve um cuidado especial: fazer bonequinhos negros, brancos e pardos, para evidenciar a diversidade dos tons de pele. “Ela é um pouco mais morena do que eu, mas não tem problema”, comentou a paciente Vitória Júlia do Nascimento, 11, ao receber o presente. Maria Clara Bonfim, 3, também gostou muito da boneca que recebeu. Começou a brincar na mesma hora e deu ao amigurumi o próprio nome. “Ela é parecida comigo”, riu, ajustando a máscara hospitalar no rosto da bonequinha. Mesmo tendo 14 anos, o adolescente Wesley Sousa fez questão de ganhar o presente, que será um parceiro na luta contra o câncer. 

“Ver o brilho nos olhos dessas crianças, das famílias, ver um sorriso no rosto de uma criança que está com dor é muito gratificante. A sensação é de gratidão”, comentou a professora Renata Diniz, orientadora do projeto de extensão. Ela disse que esse tipo de iniciativa estreita os laços entre o ambiente acadêmico e o serviço de saúde. Para a estudante Clarice Nascimento, o trabalho também é uma forma de humanização da assistência. “A gente já tinha vindo aqui e acaba se sensibilizando com a situação. Então, nossa ideia foi buscar uma forma de retribuir, porque o Hospital Universitário também é nosso campo de estágio”, disse.  

A confecção dos amigurumis ocorreu graças a uma campanha (ainda em vigor) lançada pelo projeto e que convidava as pessoas a adotar uma criança com câncer. Os benfeitores deveriam doar R$ 30, utilizados na aquisição de itens para a confecção dos bonequinhos. O projeto “Tecendo Sonhos” se sustenta por meio de doações e com as vendas dos produtos que são confeccionados pelas apenadas, incluindo bolsas, colchas de cama e toalhas de mesa. Para saber mais detalhes, acesse o perfil do projeto no Instagram (@tecendosonhos_).

Reintegração social

Segundo a coordenadora do projeto de extensão, professora Dayze Galiza, o título original do projeto é “Reintegração social por meio do artesanato: estreitando laços entre o saber/fazer de acadêmicos e mulheres vítimas de violência e apenadas”. Criado em 2018, o objetivo era trabalhar com os dois públicos, mas as atividades na penitenciária foram iniciadas primeiro.

“Por dificuldades de conseguir materiais, ficou restrito, inicialmente, ao presídio, mas aliamos a vontade de trabalhar com esse público com o interesse da direção do estabelecimento penal em diminuir a ociosidade das detentas”, disse. A professora também destacou que essa é uma forma de promover um meio de sustento para as mulheres após deixarem o cárcere. Este ano, o projeto será estendido às mulheres atendidas pelo Centro de Referência em Atendimento à Mulher (Cram), que é um órgão da Prefeitura Municipal de Cajazeiras voltado para acolhimento, atendimento e orientação às mulheres em situação de violência.

Sobre a Rede Hospitalar Ebserh

O Huac-UFCG faz parte da Rede Hospitalar Ebserh desde dezembro de 2015. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) foi criada em 2011 e, atualmente, administra 40 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência.

Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), e, principalmente, apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas. Devido a essa natureza educacional, os hospitais universitários são campos de formação de profissionais de saúde. Com isso, a Rede Hospitalar Ebserh atua de forma complementar ao SUS, não sendo responsável pela totalidade dos atendimentos de saúde do país.

Crianças com câncer ganham bonecos de crochê que simulam pacientes em tratamento

Ação leva aos pacientes mirins brinquedos sem cabelos e com máscara hospitalar

 

Fonte
Com informações do Huac-UFCG
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