Relatos de Quem Cuida

“A viagem é um tanto forte, muito forte. Difíceis foram os dias em que dormimos na rua”

Foi um processo muito difícil para vir ao Brasil, porque vendemos tudo, deixamos tudo para trás. Foi uma situação de tomar uma decisão. Saímos assustados porque não sabíamos qual era o caminho que tinha preparado para entrar aqui no Brasil, se nos registrávamos ou não.

Fomos até o consulado do Brasil, em Caracas. De lá, nós viemos para cá (Boa Vista – RR).

Então, passamos por Santa Helena (cidade venezuelana) e viemos caminhando até Pacaraima. O sol estava forte e chegamos à noite em Pacaraima. A viagem é um tanto forte, muito forte. Nós temos uma menininha e fizemos o percurso a pé apenas com o carrinho de bebê dela. No caminho, a roda do carrinho quebrou e caiu tudo. Tivemos que juntar as coisas do chão e foi muito difícil porque minha esposa está grávida.

Graças à Deus a ONU nos protegeu. Estamos a aproximadamente 15 dias aqui no Brasil. Dormimos três dias na rua, esperando e confiando em Deus, porque eu sei que Ele não falha.

Eu quero melhorar como pessoa, tenho que terminar meus estudos em Comunicação Social e sou DJ profissional de música eletrônica. Seguir adiante. Eu gosto muito do Brasil, é tudo muito bonito, por isso me agrada mais a interiorização, porque eu quero me estabelecer e ser como um brasileiro.

Apesar de tudo, a única dificuldade foram os dias em que dormimos na rua, porque imediatamente a ONU nos protegeu. Dificuldade estão passando as pessoas que estão há um ou dois meses na rua, sem sapato, passando frio. No abrigo, eu não vejo nenhuma dificuldade, porque estão nos protegendo nos dando três refeições por dia. Eles estão nos preparando, estamos comendo e estamos tranquilos para os próximos dias. Atendimentos médicos como esse são muito importantes e bons. Temos medicamentos, atenção e os cuidados.

Eu já recuperei quatro quilos, isso quer dizer que a comida está fazendo efeito. Estamos comendo a quantidade de proteínas que não comíamos na Venezuela.

O problema é que se perderam os valores. Temos que esperar essa árvore que foi plantada, crescer e dar os seus frutos para depois arrancarmos e começar do zero.

Mike e Selena
Imigrantes venezuelanos

Sobre a Ebserh

Instituição vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) administra atualmente 40 hospitais universitários federais. O objetivo é, em parceria com as universidades, aperfeiçoar os serviços de atendimento à população, por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), e promover o ensino e a pesquisa nas unidades filiadas.

A empresa, criada em dezembro de 2011, também é responsável pela gestão do Programa Nacional de Reestruturação dos Hospitais Universitários Federais (Rehuf), que contempla ações em todas as unidades existentes no país, incluindo as não filiadas à Ebserh.

No abrigo Rondon I, os imigrantes ficam em estruturas doadas por países internacionais

No abrigo Rondon I, os imigrantes ficam em estruturas doadas por países internacionais

Ebserh Solidária