Minha História com a Rede Ebserh Minha História com a Rede Ebserh

O projeto “Minha História com a Rede Ebserh” apresenta relatos de superação e a trajetória até a cura dos pacientes atendidos pelos nossos hospitais universitários federais. É o seu trabalho mudando a vida de quem mais precisa!

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“O cigarro é um inimigo”

Minha História com a Rede Ebserh

“O cigarro é um inimigo”

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Meus pais, além de serem fumantes, trabalhavam com fumo em Santa Cruz do Piauí. Meu pai plantava e fazia fumo caseiro para vender. Muita gente fazia isso. Nós éramos 12 irmãos, só um não fumou. A gente ajudava nesse ofício. Fomos crescendo e, quando ele ou minha mãe iam acender um cigarro, a gente dizia: “Acende aí para a gente”. E assim fomos aprendendo a fumar. Eu decidi fumar mesmo aos 22 anos e fumei até os 63 anos.

Eu tinha gastrite, problema de garganta, era nervosa, perdia peso. Eu não me dava conta, mas vivia deprimida, chorando direto. Eu chorava sem dor, com depressão e eu não sabia o que era. Se tocava o telefone, primeiro eu acendia um cigarro para poder atender. Se vinha uma notícia ruim, eu fumava. Se vinha boa, eu fumava. Meu pano de cama, minha cama, meu quarto, tudo fedia. Eu fumava 10 cigarros por dia, às vezes 20, se fosse um dia nervoso.

Acordava de noite vomitando. “O que é que eu tenho que quero vomitar?”, pensava. Eu acordava chorando. Meu marido perguntava o que eu tinha, eu respondia que não tinha nada.

Mas um dia, minha menina falou: “Mamãe, eu vou colocar o nome da senhora lá no HU da UFPI, no Programa Antitabagismo”. Quando ela falou, eu disse: “Meu Deus, se eu deixar de fumar, como vai ser a minha vida?”. Entrei nesse programa chorando. No primeiro dia, eu chorei. No segundo e no terceiro dia, eu chorei também. Aí foram me ajeitando e eu pensei: “Vou conseguir”.

Na primeira semana, eu já comecei a diminuir a quantidade de cigarros por dia. Com essa diminuição do cigarro, eu já via coisas melhorando em mim, eu percebia que não estava mais sentindo algumas coisas que me incomodavam. Eu tenho artrose numa perna. Quando eu estava fumando, parece que a nicotina ia para meu joelho. Doía muito.

Na quarta semana, eu já disse que não ia mais fumar. Fiz exames, tomografia do pulmão, tudo aqui no HU-UFPI, não pagamos nada. Tenho psicólogo e psiquiatra. Uma equipe muito boa.

Há um ano, não fumo mais. Recebi o certificado. Você acha que não tenho a lembrança de fumar? Tenho, mas não fumo. Depois que a gente recebe o certificado, a gente fica vindo de ano em ano, nas comemorações, para dizer “Hoje estou há tanto tempo sem fumar”. A gente dá depoimento para quem está no programa.

Minha vida mudou totalmente. Eu não tinha gosto de fazer uma roupa para mim, hoje eu faço minhas roupas, faço minhas unhas, mando fazer meu cabelo, que eu nunca tive gosto de fazer. Só existia o cigarro para mim. Eu pesava 42 quilos, hoje peso 48.

Tem casos de morte por câncer em minha família, não posso brincar com a saúde. Sou acompanhada por uma nutricionista. Nunca mais gripei. Hoje durmo bem, sou uma mulher feliz. Minha filha me admira, minha família me admira, minhas amigas me admiram.

Eu queria entrar nas cabeças de todos os fumantes, para eles saberem da minha história. Queria dizer a eles que o cigarro é um amigo que se torna um inimigo.

Josefa Clementino Gonçalves, costureira, 64 anos.

Sobre a Ebserh

O Hospital Universitário da Universidade Federal do Piauí (HU-UFPI) faz parte da rede da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), estatal vinculada ao Ministério da Educação que atualmente administra 39 hospitais universitários federais. O objetivo é, em parceria com as universidades, aperfeiçoar os serviços de atendimento à população, por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), e promover o ensino e a pesquisa nas unidades filiadas.