Minha História com a Rede Ebserh Minha História com a Rede Ebserh

O projeto “Minha História com a Rede Ebserh” apresenta relatos de superação e a trajetória até a cura dos pacientes atendidos pelos nossos hospitais universitários federais. É o seu trabalho mudando a vida de quem mais precisa!

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“Até que descobri que ele não conseguia mamar. Ele nasceu em um final de semana e até a segunda-feira, ficou sem mamar”

Minha História com a Rede Ebserh

“Até que descobri que ele não conseguia mamar. Ele nasceu em um final de semana e até a segunda-feira, ficou sem mamar”

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“Um dia notei que começaram a aparecer manchas avermelhadas no meu corpo. Eu ia ao posto de saúde e não conseguia vaga, acharam até que fosse mancha de limão. Passou um tempo, até que um dia acordei passando mal. Corri para o pronto-socorro e consegui um atendimento rápido, mas ainda não tive o diagnóstico do que seria. Como eu estava mal, fui transferida para o HU, diretamente para a UTI, onde eu fiquei por nove dias. Começaram a me tratar com o diagnóstico de púrpura trombocitopênica idiopática (PTI), mas depois de dois meses de tratamento, o hematologista conseguiu que eu fosse atendida por um reumatologista. No primeiro dia ele já descobriu que era lúpus. Isso em 2013.

Na época eu fazia ensino médio e minha vida mudou totalmente. Eu tive recomendações para não fazer muito esforço, já não podia fazer educação física na escola, não podia andar de bicicleta. Minha imunidade ficou muito baixa. Depois, quando casei, me disseram que eu deveria evitar ter filhos, porque meu tratamento era muito intenso, com remédios muito fortes. Dois anos após o casamento, eu ainda não tinha engravidado, mesmo sem tomar anticoncepcional, que não é recomendado, porque pode causar trombose. A gente, então, tentava evitar a gravidez de forma natural.

Quando fiquei grávida, não soube logo de início. Só descobri quando estava no sétimo mês de gestação. Eu estava fazendo o Enem, no ano passado, quando senti o bebê mexendo. Achei estranho e fui fazer um exame de sangue. Não tive tempo nem de fazer pré-natal. Paguei uma ultrassonografia e foi quando me confirmaram que eu estava de sete meses. Foi um baque bem grande, ainda mais para o meu marido! A minha maior preocupação, no entanto, é se o bebê teria alguma deficiência ou se teria lúpus. Mas nos dois meses que levaram até o nascimento do meu filho, tudo ocorreu de forma tranquila. Não senti enjoo, nem nada. Só sentia ele mexer mesmo.

O parto, com 39 semanas e um dia, foi tranquilo. Eu fiz uma cesariana, por indicação médica, e não teve nenhum problema. Só fiquei nervosa mesmo, mas isso desde que fiquei sabendo que estava grávida. Quando ele saiu e eu o vi, achei que ele era muito grande e magrinho, igual ao pai. E nós o chamamos de Lorenzo Gabriel.

Após o parto, ficamos seis dias em observação no HU, pois a glicemia dele era baixa. Durante esses dias, foram feitos muitos exames, mas ele não tinha nada, não tinha lúpus, graças a Deus. Ele era totalmente saudável. Até que descobri que ele não conseguia mamar. Ele nasceu em um final de semana e até a segunda-feira, ficou sem mamar. Chegou a tomar fórmula. E aí veio a fisioterapeuta Amanda Jorge me ajudar. Mas, mesmo assim, ele demorou muito para conseguir.

Para mim foi muito complicado, pois eu sou uma mãe muito jovem e não tinha minha mãe comigo no momento, pois ela enfrentava um câncer. Eu não tinha nenhuma experiência. Foi um sacrifício grande ver meu filho passar fome. Ele não chorava, não acordava. Ficava só dormindo. Às vezes, eu não conseguia nem olhar para ele. Mas quando ele começou a mamar, foi um alívio. Eu chorava do início ao fim, amamentando. Eu queria muito, muito mesmo que ele mamasse.

Os enfermeiros insistiram bastante na amamentação, porque eles precisam encorajar a mãe, mas eu não conseguia. Até que, graças a Deus consegui. Foi um milagre. E o acompanhamento da equipe foi muito, muito bom. Eu não sabia nada, não sabia o tempo de amamentar, não sabia quando eu podia acordar ele. Eu não tinha incentivo da família, porque apenas meu marido estava comigo. Até que os profissionais apareceram, me apoiaram e ficaram comigo. Eles ficavam comigo quase o dia inteiro. As fisioterapeutas vinham, de manhã e à tarde. Elas tentavam me ajudar a entender porque ele não mamava. Veio também a fonoaudióloga, que me ajudou em todas as coisas relacionadas à linguinha. Me ensinaram as técnicas para ele pegar a mama, me ensinaram a ordenhar o meu leite. Ficamos em observação por alguns dias, por causa do lúpus. Fizeram todos os exames nele e ele estava saudável.

Hoje ele tem cinco meses e mama muito! De meia em meia hora ele quer. E eu dou, em livre demanda, até quando ele quiser. Não pretendo parar com dois anos. Quero esperar o tempo dele. A amamentação, para mim, é minha maior e melhor relação com meu filho.

Liliane Ferreira Medina

Sobre a Ebserh

Desde setembro de 2013, o Hospital Universitário da Universidade Federal da Grande Dourados (HU-UFGD) é filiado à Ebserh, estatal vinculada ao Ministério da Educação, que administra atualmente 39 hospitais universitários federais.

O objetivo é, em parceria com as universidades, aperfeiçoar os serviços de atendimento à população, por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), e promover o ensino e a pesquisa nas unidades filiadas.

O órgão, criado em dezembro de 2011, também é responsável pela gestão do Programa Nacional de Reestruturação dos Hospitais Universitários Federais (Rehuf), que contempla ações nas 50 unidades existentes no país, incluindo as não filiadas à Ebserh.