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Hospital de Fortaleza atende em domicílio pacientes com dificuldade de locomoção

FORA DO CONSULTÓRIO

Hospital de Fortaleza atende em domicílio pacientes com dificuldade de locomoção

Até agora, 47 dos 53 pacientes triados já foram assistidos pelo projeto

Fortaleza (CE) - Dona Uedes é diabética e teve a perna esquerda amputada devido a uma complicação após um procedimento realizado na unha do pé. Com o auxílio de uma cadeira de rodas, locomove-se pela casa e realiza as atividades domésticas, porém não se sente segura para usar muletas. Por isso, evita sair de casa por medo de cair. Ir ao médico gera transtornos para ela, que agora recebe atendimento em casa.

Profissionais do Hospital Universitário Walter Cantídio (HUWC) e estudantes e professores da Universidade Federal do Ceará (UFC) atendem em domicílio pacientes com dificuldade de locomoção. As visitas visam atender à demanda existente nas áreas mais críticas de cobertura de uma das unidades básicas de Saúde da Família da região. Até agora, 47 pacientes já foram assistidos dos 53 triados para receber o atendimento. Todos voltarão a ser consultados regularmente.

Na visita mais recente à dona Uedes, a equipe multidisciplinar realizou exames de glicemia e pressão arterial. Ela também foi avaliada por estudantes de odontologia e fisioterapia. “A gente se sente cuidada por completo”, disse.

Além do cuidado à paciente, a iniciativa, iniciada em julho, tem como objetivo proporcionar aos alunos a vivência do atendimento no lar, em uma imersão nos contextos social e familiar dos pacientes. Dessa forma, os estudantes têm contato com o território e experimentam o atendimento fora dos consultórios, participando de uma equipe multidisciplinar.

As visitas também ajudam a diminuir o número de intercorrências nas unidades de saúde. “A intenção do cuidado domiciliar é tentar diminuir as intercorrências. Esses pacientes que não conseguem se locomover, quando pioram, tendem a ir ao hospital. Com o projeto, o que a gente faz é evitar que o paciente precise procurar o serviço hospitalar emergencial, mantendo-o estável, sem piora”, explica Magda Almeida, professora do Departamento de Saúde Comunitária da UFC.

Projeto

Os atendimentos em domicílio fazem parte do projeto “Fórum de Saúde do Porangabuçu”, com o monitoramento da própria Magda Almeida e de Josenília Gomes, gerente de Atenção à Saúde do HUWC. Os agentes comunitários de saúde colaboram com projeto ao estabelecerem o elo entre pacientes e profissionais. Ao todo, o grupo conta com psicólogo, fisioterapeuta, farmacêutico, médico e odontólogo, profissionais em formação (alunos participantes de programas de extensão) e voluntários.

A equipe busca averiguar como está a saúde do paciente por meio de exames de rotina, como verificação da glicemia, pressão sanguínea e avaliação bucal, além de diálogo intenso com os pacientes e, se presentes, com os familiares.

“Ir ao encontro do paciente e atendê-lo em casa permite aos profissionais da saúde terem uma visão sobre alguns aspectos do cotidiano desse indivíduo que podem afetar diretamente o tratamento, como saber quem são os cuidadores (e qual é a disponibilidade deles), se as instalações da moradia estão adequadas às condições físicas do paciente, se há um monitoramento eficaz dos medicamentos, como é a relação familiar etc”, avalia Josenília Gomes.

Sobre a Ebserh

Desde novembro de 2013, o HUWC-UFC é filiado à Ebserh, estatal vinculada ao Ministério da Educação, que administra atualmente 39 hospitais universitários federais. O objetivo é, em parceria com as universidades, aperfeiçoar os serviços de atendimento à população, por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), e promover o ensino e a pesquisa nas unidades filiadas.

O órgão, criado em dezembro de 2011, também é responsável pela gestão do Programa Nacional de Reestruturação dos Hospitais Universitários Federais (Rehuf), que contempla ações nas 50 unidades existentes no país, incluindo as não filiadas à Ebserh.

Com informações do HUWC-UFC