Relatos de Quem Cuida Relatos de Quem Cuida

O projeto “Relatos de quem cuida” apresenta histórias de atendimentos de saúde marcantes na vida dos colaboradores (funcionários, estudantes, residentes, professores) dos hospitais da Rede Ebserh. É o trabalho de pessoas que se dedicam para mudar a vida de quem mais precisa!

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“Esse garoto nasceu de novo e recebeu um lindo presente de Natal”

Relatos de quem cuida

“Esse garoto nasceu de novo e recebeu um lindo presente de Natal”

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*Por se tratar de uma das histórias mais marcantes já vivenciadas no HU-UFGD, duas das profissionais foram selecionadas para fazer seus relatos.

Karolyne – O caso foi o de um menino de 17 anos que, desde o dia em que chegou ao hospital, comoveu a todos pelo fato de ser um garoto muito jovem, vítima de uma fatalidade. Foi atropelado por uma moto quando estava na calçada, em abril deste ano, numa cidade próxima a Dourados.

Bianca – Ele ficou internado em outros hospitais, em cidades vizinhas, e acabou formando diversas e graves lesões por pressão, além de apresentar atrofia em todos os membros, ter sido traqueostomizado e se alimentar por meio de sonda nasoenteral. Aqui, ele ainda fez um gastrostomia, que é uma cirurgia que permite acesso ao estômago através da parede abdominal. 

Karolyne – As possibilidades dele eram praticamente zero, pois se tratava de um traumatismo craniano grave e irreversível. A expectativa era mínima e, de acordo com os exames, as lesões no cérebro eram imensas, ou seja, se sobrevivesse, ficaria em uma cama para o resto da vida, sem falar, sem comer com sua própria boca, sem andar, nem mesmo sentar.

Bianca – No início, pensei que não iria se recuperar, fiquei com um nó na garganta por várias vezes, consternada por ele e seu cuidador, que era um irmão mais velho. Com o decorrer do tratamento, nós acabamos ficando muito próximos, eu e toda a equipe, afinal, foram seis meses de internação.

Karolyne – Ele não se expressava verbalmente e nem com os olhos. Somente respondia a estímulos dolorosos nos momentos de punção venosa, que era quando contraía mais os braços. Diante das possibilidades humanas era impossível aquele menino voltar a falar, comer ou ter alguma condição de vida normal. Então, eu acreditei e confiei nas possibilidades de Deus. Como meu contato com ele era intenso, comecei a perceber coisas diferentes: ao falar com ele, vi que ele me respondia com os olhos, piscando para sim ou não. Ao pegar em suas mãos, pedia que apertasse se me compreendesse, e ele o fazia. Seu irmão me contava como ele era antes do acidente e sempre manteve a certeza de que voltaria a ser igual, mesmo com o diagnóstico de lesões irreversíveis, pois ele também acreditava que o jovem o ouvia, o compreendia.

Bianca – Um dia, aconteceu. Meu coração pulou quando escutei a voz dele pela primeira vez, pois devido à traqueostomia o som não havia saído até aquele momento. Depois disso, até o ensinei a gritar o nome das outras meninas da equipe!

Karolyne – E do nada ele começou a falar, passou a responder sim ou não, e mesmo com a traqueostomia, dizia nossos nomes, dizia se sentia dor, e aos poucos foi falando tudo. Ouvir sua voz foi surpreendente, comoveu a todos. Funcionários de outros locais vinham para vê-lo falando, gente da equipe de Enfermagem, da higienização, da copa, da Fisioterapia, todos queriam ver aquele milagre.

Bianca – Outra emoção particular foi a melhora completa de todas as lesões por pressão, foi como uma vitória pessoal. Foi um caso especial e inesquecível, um milagre do qual amamos fazer parte. E daí para frente, ele foi melhorando. Quando soubemos da alta, há pouco mais de dez dias, fizemos todas as suas vontades. Cachorro-quente, bolo de chocolate, tudo o que ele queria comer – e que foi autorizado, claro.

Karolyne – Foi uma mistura de felicidade e aperto no coração. Ficamos felizes por ele retomar a vida lá fora. Ele saiu na semana passada e foi para casa falando, comendo e se movimentando. Já tive notícias, inclusive, por parte de sua mãe, de que ele conseguiu dar três passos! Acredito mesmo e, agora ainda mais, que o amor tudo pode curar. Esse garoto nasceu de novo e recebeu um lindo presente de Natal. Agradeço a Deus pela minha profissão e por poder presenciar e participar dos milagres que ele opera.

Bianca – Sem dúvida, a alta dele foi um grande presente de Deus, e é um vínculo que não queremos perder. Já combinei com sua mãe: em breve, estaremos juntos, comendo um pastel, de que ele tanto gosta.

 

Karolyne de Moura Morais Ortigoza, 28 anos

Técnica em Enfermagem no HU-UFGD há sete anos

 

Bianca Raquel Bianchi Celoto, 37 anos

Enfermeira no HU-UFGD há um ano

Sobre a Rede Ebserh

Desde setembro de 2013, o HU-UFGD faz parte da Rede Ebserh. Estatal vinculada ao Ministério da Educação, a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) administra atualmente 39 hospitais universitários federais. O objetivo é, em parceria com as universidades, aperfeiçoar os serviços de atendimento à população, por meio do SUS, e promover o ensino e a pesquisa nas unidades filiadas.

A empresa, criada em dezembro de 2011, também é responsável pela gestão do Programa Nacional de Reestruturação dos Hospitais Universitários Federais (Rehuf), que contempla ações nas 50 unidades existentes no país, incluindo as não filiadas à Ebserh.