Relatos de Quem Cuida Relatos de Quem Cuida

O projeto “Relatos de quem cuida” apresenta histórias de atendimentos de saúde marcantes na vida dos colaboradores (funcionários, estudantes, residentes, professores) dos hospitais da Rede Ebserh. É o trabalho de pessoas que se dedicam para mudar a vida de quem mais precisa!

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“É um amor verdadeiro, é mágico”

Relatos de quem cuida

“É um amor verdadeiro, é mágico”

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Sou Técnica de Enfermagem e trabalho no Setor de Exames de Eletroencefalograma do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás. Eu conheci o Juju (apelido de Jucivaldo) em um final de semana, quando estava em um dos plantões. Quando ele chegou na Clínica Médica, vi que não tinha acompanhante e que não recebia visitas. Em um desses plantões, descobri que, apesar de não conversar e não ter o movimento de um dos lados do corpo, por ter sofrido um AVC, ele tinha a plena consciência. Então, passei a me comunicar e percebia que ele entendia, respondia e, assim, nós criamos uma afinidade com o passar dos dias. Quando eu chegava, ele já abria aquele sorriso!

Um dia eu perguntei a ele: “você não tem família? Não tem ninguém para vir visitá-lo?”. Ele começou a chorar. A partir desse dia, eu passei a cuidar dele. Passava todos os dias na Clínica Médica, onde ele estava internado, antes do meu horário de trabalho, para dar banho nele, fazer os curativos e conversar com os médicos. Então, a nossa afinidade foi só crescendo, crescendo. Ele inclusive apresentou uma melhora, passou a comer e até a falar.

Eu achava engraçado que antes ele era um paciente comum. E, a partir daquele momento, ele passou a ser conhecido como “o Juju, o paciente da Marilene”. Todos na Clínica Médica o chamavam assim. E, dessa forma, toda a equipe criou um carinho muito especial por ele. Quando eu não vinha, ele ficava emburrado, e o dia em que saí de férias, não pude contar a ele.

Então, fui atrás da história de Juju para descobrir porque ele não tinha família, porque estava ali internado e ninguém o procurava. Com a ajuda do Serviço Social, descobri que ele tinha dois filhos – um estava preso e o outro era usuário de drogas. Ele tinha também uma mulher, que não se importava com ele, e uma irmã. O restante da família morava no estado de Mato Grosso. Eu entrei em contato com a irmã dele, que veio ao hospital, mas não pôde entrar para vê-lo, porque ela havia feito uma cirurgia e estava com a imunidade muito baixa.

Durante as minhas férias, fui ao hospital para vê-lo, mas fiquei sabendo que havia tido alta e encaminhado para um abrigo, mas continuei mantendo contato com ele. Eu ligava lá todos os dias para saber notícias dele e ligava também para a irmã dele. Depois disso, ele ficou internado mais duas vezes até falecer. A família decidiu levar o corpo para Mato Grosso.

Ele foi muito importante para mim. A gente não acredita que seja capaz de amar uma pessoa que nunca tenha visto antes, com quem você não tem nenhum tipo de afinidade. Você acha que é capaz de amar somente seus filhos, seu marido, mas nunca uma pessoa doente, cheia de feridas, que está sobre uma cama sofrendo. É um amor verdadeiro, é mágico! Enquanto esteve conosco, pude dar um certo conforto e alento a Juju, com carinho e dedicação. Esse é o verdadeiro sentido da humanização da saúde.

Marilene Batista da Silva

Técnica de Enfermagem – HC-UFG

Sobre a Ebserh

Desde dezembro de 2014, o HC-UFG faz parte da Rede Ebserh. Estatal vinculada ao Ministério da Educação, a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) atua na gestão de hospitais universitários federais. O objetivo é, em parceria com as universidades, aperfeiçoar os serviços de atendimento à população, por meio do SUS, e promover o ensino e a pesquisa nas unidades filiadas.

A empresa, criada em dezembro de 2011, administra atualmente 39 hospitais e é responsável pela gestão do Programa Nacional de Reestruturação dos Hospitais Universitários Federais (Rehuf), que contempla ações em todas as unidades existentes no país, incluindo as não filiadas à Ebserh.