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Hospital Escola de Pelotas prepara equipes multidisciplinares para atendimento domiciliar

A população cresce, envelhece e muitas internações hospitalares podem ser transferidas para o aconchego do lar, onde a melhora é mais rápida e eficaz.

A expectativa de vida ao nascer no Brasil subiu para 74,9 anos em 2013, para ambos os sexos, segundo dados divulgados recentemente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em razão desta realidade, administrar a saúde pública exige cada vez mais medidas que antecipem situações e demandas em unidades hospitalares. Foi com essa proposta que em 2007 o Hospital Escola da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) ganhou o prêmio da Fundação Banco do Brasil em Tecnologia Social.

Filiado à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), vinculada ao Ministério da Educação (MEC), o hospital implantou, em 2005, o Programa de Internação Domiciliar Interdisciplinar (PIDI Oncológico) com o propósito de aliviar o sofrimento físico, emocional, social e espiritual dos pacientes com câncer em estágios avançados.

Os pacientes recebiam duas visitas diárias, em casa, de equipes interdisciplinares formadas por médicos, enfermeiras, técnicos de enfermagem, assistentes sociais, psicólogos, nutricionistas e capelão. O ganho foi enorme, tanto para as famílias quanto para os profissionais de saúde, muitos prestando depoimentos emocionados de ter encontrado a vocação para o serviço, como a médica Eliana Oliveira Coelho, que afirma: "O nosso trabalho é a arte da entrega, do sentimento, do amor pelo outro."

"Não é um programa caro, basta a boa vontade dos gestores para poder implementar", defende a diretora Julieta Carriconde Fripp. Ela acredita que a política de internação tem condição de se propagar em todos os municípios do Brasil. "Não só para a pessoa com diagnóstico de câncer, mas para diagnósticos em geral, para todas as idades, para justamente buscar o afastamento hospitalar quando não existir necessidade", argumenta a médica.

"Já tínhamos essa preocupação em 2007, quando ganhamos o prêmio da Fundação Banco do Brasil", comenta a Dra. Fripp, "quando ganhamos o prêmio ficamos ainda mais motivados, articulando com nossos pares para que essa política gerasse algum fruto para o País," ressalta.

E foi assim que o HUPel se tornou um dos primeiros parceiros do Ministério da Saúde nos programa nacional de atendimento domiciliar. Em 2012, o hospital implantou o primeiro serviço do programa Melhor em Casa, criado para, entre outros benefícios, melhorar e ampliar a assistência no SUS a pacientes com agravos de saúde que possam receber atendimento humanizado, em casa, e perto da família. "Hoje atendemos cerca de 170 pacientes, com equipes qualificadas", relata Dra. Julieta C. Fripp.

Colegas de equipe da médica Eliana O. Coelho fazem questão de ressaltar a oportunidade única que a profissão lhes deu, de uma vida de encontros, de amor ao próximo e de satisfação imensa com o labor diário. "O Melhor em casa é um modelo de atuação domiciliar que na sua prática resgata tudo aquilo que a gente sonhou de modelo técnico assistencial", enfatiza o médico Ari Lemos Vieira Júnior. "A equipe multidisciplinar se reúne, discute todos os problemas que envolvem os cuidados desses seres humanos. A gente tem um grau de satisfação imenso, tem uma felicidade de estar trabalhando nesse novo modelo de cuidado," enaltece.

Realizado a cada dois anos, o Prêmio Fundação Banco do Brasil tem por objetivo identificar, certificar, premiar e difundir tecnologias sociais já aplicadas, implementadas em âmbito local, regional ou nacional, que sejam efetivas na solução de questões relativas à alimentação, educação, energia, habitação, meio ambiente, recursos hídricos, renda e saúde.

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O ganho foi enorme, tanto para as famílias quanto para os profissionais de saúde, muitos prestando depoimentos emocionados de ter encontrado a vocação para o serviço
Ascom/Hospital Escola de Pelotas